Seu nome, era dor.

30 dezembro 2015

Ela fazia doer. Sem saber, o fazia. Era a dor mais dolorosamente desejada. Era o último suspiro agoniado. 
Amá-la era como suicídio.

Sempre perdeu pessoas e amores. E são assim as pessoas ardentes, não são? Queimam por dentro e por fora, ardem até quando tudo em volta está gélido. Era assim pra ela. Não havia nela uma só parte fria, e tudo queimava tanto que as outras pessoas não estavam preparadas para a ardência. Em seus peles, em seus corpos e em suas mentes, derretendo tudo o que havia, derretendo tudo o que eram, tornando-os  ambíguos como ela era. A cada vez que a amavam, sentiam a dor percorrê-los com calafrios, avisando o que estava por vir.

Amá-la era sim doloroso. E não podia ser diferente, por que ela - sempre em chamas - causava a discordância. A dor desejada. Amava tanto que poucos sabiam que era desse amor que ela tirava a própria força. Era nesse amor que depositava tudo o que era, e aí está a ironia: quem não quer um amor verdadeiro? Todos queriam o amor dela. Todos queriam seus nomes no mais ardente lugar para se estar. Todos queriam ser eternos como o amor que ela sentia por eles. E a amavam também, isso era efeito colateral. Amavam tanto que doía. Sempre doeu amá-la, mas sempre todos se encantavam com o amor que ela dava a eles. Bela ironia, não?

Não poderia ser amada.

Mas poderia amar.

Amar assim, no infinitivo. Era tudo o que ela teria. Por que amada não seria, sem causar dor.

Para ela, não era "eu te amo".

Para ela não havia isso. Era diferente.

Para o maior amor de todos, é "eu te doo".


Paula Matcki

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