Domingo

24 janeiro 2016

O quarto estava arrumado, era a primeira vez em meses e eu me sentia bem assim, bem melhor do que achei que fosse me sentir.
Olhei ao redor e percebi o quanto tinha mudado nos últimos meses, com meus cabelos antes longos, agora batendo em meus ombro, com a calça larga que eu jurava nunca usar, quadros na parede com ilustrações que peguei em um tal de pinterest, tudo estava diferente.
Sentei na cama com as pernas cruzadas e notei o quanto eu amava estar sozinha, porque não era solidão, era apenas eu me fazendo companhia.
O barulho de chuva na janela me fazia feliz, estar no meu quarto me fazia feliz, ali, bem ali, eu era quem eu quisesse. Tinha dias que eu acordava como se fosse uma artista, espalhava folhas no chão e fazia a maior bagunça, na maioria das vezes criava coisas que jamais usaria, mas eu tinha feito algo. Em outros dias acordava inspirada, jogava as peças do guarda-roupa no chão e separava as melhores peças, queria me sentir linda. Ali eu podia sonhar, podia fazer, criar, desfazer, chorar, sentir, ali protegida pela minha janela, eu era quem eu quisesse ser.
Pensei em como meu circulo de amigos também mudou, meus amigos se foram e não os culpo, não é como se eu tivesse sido abandonada ou algo do tipo, mas sabe, eles também tinham vidas. Namoros, trabalhos, o curso dos sonhos, a faculdade que tomava tempo, era a maior correria e agora eu agradecia minha calmaria.
Pensei em como mudou tudo em minha vida, aprendi a me bastar, não amava mais aquele garoto que achei que fosse o homem da minha vida, não queria mais ser a primeira e não tinha mais tanta pressa em ver tudo acontecendo. Comecei a fazer exercícios, tudo bem, eu falhava sempre, mas eu fazia. Joguei tudo do passado fora, principalmente varias memórias.
Ali estava eu, em uma tarde de domingo, pensando em tudo que me mudou. Mas que mal tem? Domingos não servem exatamente para isso? Nostalgia?

Beatriz Prado

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