Fim ou Recomeço?

15 fevereiro 2016

Empurrei a bagunça do tapete mais para o lado, eu queria sentar.
Eu não passava mais tanto tempo no meu apartamento, mas ainda era meu. Eu sabia disso pela blusa listrada pendurada na cadeira, sabia porque meus pares de sapatilhas pretas estavam perto da porta de entrada, eu sabia que ali ainda era minha casa porque apesar de tudo, os meus livros continuavam na estante. Eu sabia.
O que eu não sabia, era porque uma garota estaria agora, de joelhos em seu próprio tapete, eu não sabia porque uma garota trazia uma mala pra sua própria casa.
Aquela era minha casa, o que fazia tantas coisas minhas por ai? Em uma casa que eu chamava de lar.
Ele me disse "vai", virou as costas e começou a tirar minhas coisas de seu armário, Eu não entendi nada, apenas o disse que precisava pensar mais em mim, entrar na faculdade, disse que estava pensando em visitar meus pais no interior, eu só disse para não irmos tão rápido e então lá estava minhas roupas sobre a cama. Ele me disse para pegar sua mala de viagem, eu não queria, também tinha orgulho, também queria sair de cabeça erguida, mas eram coisas demais então acabei aceitando.
Eu não sabia que mal tinha. Que mal tinha pensar em mim. Porque eu deveria apenas pensar nele.
Mas ele me disse que eu estava distante e não era de hoje. Oh meu amor, estou distante de mim mesma.
Agora relembrando aquela cena meus olhos transbordavam o que meu coração não sentia.
Aprendi com a minha uma vez que quando algo dá errado, podemos escolher entre dois lados. O fim ou o recomeço. E ali, de joelhos em meu próprio tapete, eu escolhi recomeçar.
Não precisava de alguém que não aceitava minha independência.
Começaria guardando as sapatilhas no lugar, talvez eu até comprasse um par vermelho.
A blusa pra lavar.
Me lembrei de um romance que comprei e não li, eu não tinha mais tempo pra mim. Apenas o enfiei na estante quando o carro buzinou avisando que já estava me esperando, mas talvez agora fosse a hora de tira-lo de lá.
Aquele não era mais meu fim, aquele era o meu recomeço.
Beatriz Prado

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