Tarde de Domingo

29 fevereiro 2016

Enquanto um cozinhava o outro lia. Ambos com sorrisos no rosto, ambos felizes, finalmente estavam felizes.
Enquanto passava os olhos pelas palavras, sua mente estava em outro lugar, um lugar bem perto. Ela pensava nele, ali com o seu jeito próprio de cozinhar, suas manias com temperos, sua mania de dizer que tudo era secreto, que ninguém podia ver, que tudo dependia do momento, ela sorria.
Ele por outro lado quase chegou a cortar os dedos da mão duas vezes, por pensar demais nela. Ela que tinha os cabelos presos em um coque desajeitado, ela que toda vez que o via olhando, tratava logo de soltar os cabelos, mal sabia ela que ele amava aquele emaranhado de cachos. Ele pensava em como ela ficava séria enquanto lia, pensou em como seus lábios as vezes formavam um leve sorriso. Ele pensava que o leve sorriso era por algo que ela tinha lido, mas era porque ela o olhava ali e tinha certeza que agora ele era dela. Nada o tiraria dela.
Quarenta minutos e ela continuava na página vinte, quarenta minutos e a comida ainda não estava pronta. Tudo que eles queriam era aproveitar aquela troca de pensamentos, aquele jogo, aquela coisa íntima e única.
Eles finalmente pertenciam um ao outro.

Beatriz Prado.

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