BEDA #15 Elas nunca se vão

17 abril 2017



As cicatrizes nunca apagam, estão sempre ali te lembrando de tudo que você é e foi.
Não é ruim, são lembranças, coisas que te fazem lembrar as coisas que já passaram. Mas às vezes, as vezes elas são ruins. Às vezes elas vêm de dentro, e você não consegue curar, não dá pra tratar, não existe creme, pomada, nada vai fazer amenizar.
Sua vontade é de lavar por dentro, esfregar e esfregar, até que não haja mais vestígio de nada que passou.
E seus olhos transbordam, é tudo poesia.
Você é poesia e a sua dor é poesia. Não é bonito, não é bom, mas suas cicatrizes menina, elas são você. Cada uma delas.
Você é inspiração pra poetas, autores, roteiristas, compositores, você é poesia. Mas não deixa de doer, a dor não ameniza, aumenta.
Se não falassem, não existiria. Se não falassem, significaria que mais ninguém passou.
Saber que outras pessoas passaram, te acalma por saber que não é a única, mas te amedronta por querer que toda a dor do mundo se cure.
Olhe pra si, sinta a dor. Deixa vir, perca o ar e transborde. Deixe o coração parar por alguns instantes e então volte, volte pra si, volte a si.
Pense naquilo que te mantém aqui, pense naquilo que te faz respirar.
Os olhos do seu irmãozinho mais novo, a sua música preferida, o cafuné de mãe, o cheiro de vó, o cheiro de chuva, a cor alaranjada do pôr do sol.
Volte a respirar.
Pense naqueles que fazem de tudo por você, pensa em quem se esforça por você, em quem ama todas as suas imperfeições e um dia... um dia vire poesia.
Abra os olhos.
Veja ao seu redor. Tudo continua aqui, foi apenas uma crise, passou.
Passageira.
Vai.
Vem.
Passa.
Some.
Volta.
Você é poesia.
Respira.
E elas nunca vão sumir, mas um dia elas não vão te incomodar.
Espere.
Espere, pois eu espero.

Despeça-se.
É a dor mais bonita que retrataram.

Diga adeus.

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